O Que é o Design?

Desde que comecei no mundo do design tento explicar para as pessoas o que ele é … sempre foi uma tarefa um pouco frustrada. Até que li um texto do Jornal O Globo que soube explicar bem o que é esse negócio de ser tudo ao mesmo tempo.

Aqui vai o texto na íntegra:

Projetos que se misturam a todo tipo de saber, da cultura à ciência, estão no limiar da arte e dão soluções de beleza e praticidade para o cotidiano.

Você compra um celular novo e se entende às mil maravilhas com o aparelho. Chega num lugar desconhecido e acha o banheiro e a saída com facilidade. Ou busca uma informação num site e ela aparece sem sofrimento. Ou, ainda, surpreende-se quando aquela poltrona charmosa que você anda paquerando se revela, além de linda, um conforto só.

Por trás dessas e muitas outras experiências cotidianas,está uma pessoa que se ocupou de projetá-las, usando cores, texturas, pixels, palavras, informações gráficas, movimento, luz, som: este é o designer, que se reiventa e inova constantemente, menos preocupado com as fronteiras de sua atuação e mais consciente de suas possibilidades de pensar o mundo. O design, cada vez mais, mistura- se à arte e à tecnologia, à cultura e à ciência.

Nesse caminho de diálogo com outros saberes, até serviços e fluxos de trabalho o design passou a projetar, de olho em aumentar a eficiência dos processos. Mas, na verdade, pouco importa o sobrenome que se dê ao design. Seja gráfico, de produto, de interiores, digital, de exposição, web, de games, thinking, social, de interface, de serviços, estratégico, ele envolve uma forma de pensamento que busca soluções para os nossos mais variados problemas. Na raiz desse exercício, está um elemento dos primórdios do design: o projeto, que guia o desenvolvimento dos conceitos escolhidos até o encontro de uma solução.

Muitas vezes, se bem resolvido, o projeto de design mal é notado pelo usuário: ele simplesmente flui. Em questões de usabilidade , uma das grandes preocupações do designer é quando a coisa emperra: nessa hora, fica evidenciada a falta de um bom trabalho de design, como nas reclamações dos consumidores sobre celulares difíceis de serem usados ou quando um utensílio de cozinha, em vez de abrir a lata, acaba cortando a mão da pessoa.

Em outros casos, o design, com suas possibilidades de apelo estético e emocional, pode roubar a cena e, de fato, emocionar: seja com uma bela forma, um ambiente marcante, um resultado surpreendente. Sim, o impulso do designer pode ser simplesmente emocionar o outro. E se, nesse caso, sempre vem alguém questionar se isso não é o artista quem faz? A resposta pode ser: “sim, também”.

Afinal, como há quase 40 anos percebeu um dos nossos pioneiros no ramo, Aloísio Magalhães, o design surgiu sabendo construir todo tipo de ponte: “Trata-se de uma atividade contemporânea e, como tal, nasceu da necessidade de se estabelecer uma relação entre diferentes saberes. Nasceu, portanto, naturalmente interdisciplinar”. Tal constatação fez parte da fala de Magalhães na comemoração dos 15 anos da Escola Superior de Desenho Industrial (Esdi), a primeira do país, que ele ajudou a fundar e, este ano, comemora 50 anos. E, já que o assunto é celebrar, fica o registro: daqui a alguns dias, mais exatamente em 5 de novembro, é o Dia Nacional do Designer, data escolhida em razão do aniversário de Magalhães.